Os erros na Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad),
anunciados na tarde de sexta-feira, 19, podem levar à saída da
presidente do IBGE, Wasmália Bivar, responsável pelo levantamento. Na
avaliação de interlocutores do governo, a presidente do instituto de
pesquisa perdeu as condições de permanecer no cargo, embora não tenha
sido anunciada nenhuma decisão oficial sobre o seu afastamento.
A presidente Dilma Rousseff foi informada sobre os erros na Pnad, e
também da necessidade de revisão na coleta dos dados, pela ministra do
Planejamento, Miriam Belchior, antes de viajar ao Rio, onde fez campanha
eleitoral. A presidente ficou muito contrariada, segundo auxiliares, e
determinou a abertura de uma comissão interministerial para investigar o
caso e descobrir os responsáveis pela situação, definida por ela como
"inaceitável".
A Casa Civil será a encarregada de fazer a investigação. Na
quinta-feira, o governo havia comemorado os dados anunciados e Dilma
fizera questão de destacá-los, ponto por ponto, no Palácio da Alvorada,
amenizando a piora no indicador de desigualdade de renda.
Os problemas na Pnad mobilizaram o governo. Além de Miriam Belchior,
mais três ministros foram convocados por Dilma a dar hoje, em entrevista
à imprensa, mais explicações sobre o caso.
Em conversas reservadas, ontem, integrantes da campanha de Dilma
manifestaram receio de que a correção na Pnad acabe virando um caso como
a "errata" do programa de governo da candidata do PSB, Marina Silva,
até hoje alvo de críticas do PT por ter corrigido pontos de sua
plataforma eleitoral. O Planalto e o comitê da reeleição farão de tudo
para evitar que a troca dos números seja usada pelos adversários de
Dilma para desgastar a gestão do governo.
Miriam Belchior estava ontem de licença médica, mas a presidente mandou
que a ministra convocasse uma entrevista coletiva, no fim do dia, após o
anúncio dos erros feito por Wasmália Bivar na sede do IBGE, no Rio,
para explicar o ocorrido. "Foi um erro bárbaro", resumiu, à noite, um
auxiliar de Dilma, ao lamentar o episódio e a necessidade de revisão dos
índices.
A ministra disse que o governo ficou chocado com o erro. "Estamos
tentando entender o que ocorreu e tomaremos medidas. Apuraremos se será
necessária medida disciplinar contra responsáveis", garantiu Miriam.
"Lamentavelmente, o procedimento de checagem e rechecagem não funcionou.
Acho que houve uma falta de cuidado no procedimento básico", admitiu a
ministra. (Colaboraram Nivaldo Souza e Victor Martins) As informações
são do jornal O Estado de S. Paulo.

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